SOBRE O DVD E OUTRAS COISA IMPORTANTES!!

Ola pessoal. Infelizmente o blog pra mim, ainda tá sendo arrastado. Agradeço a preocupação de alguns quanto ao último post. Realmente já estou bem melhor. A gente vira a página e começa a escrever de novo no intuito de evitar os mesmos erros. Viver em São Paulo sozinho não é fácil, mas as coisas estão dando muito certo. Novas amizades e até mesmo uma nova possibilidade de ter alguém perfeita do meu lado, tem me animado muito. Agora não cabe ficar nem um pouquinho triste. Hora de animação, dedicação, empenho. Vamos gravar o tão sonhado DVD.
Não sei se já sabiam dessa informação, mas vamos gravar em Curitiba no dia 23 de outubro. 
Fomos questionados por várias pessoas em razão de termos escolhidos Curitiba para a gravação do DVD. Acabo me sentindo na obrigação de dar essa explicação, porque naturalmente todos acham que devíamos gravar em Goiânia, e eu me sinto respondendo por mim e pela banda. 
Sempre sonhamos em gravar um DVD que expusesse nossa apresentação ao vivo. A vibração que demonstramos e o tesão de tocar que tanto temos. SIM, queríamos gravar em Goiânia. Seria natural, seria uma forma de agradecer a cidade em que a maioria de nós nasceu e que a banda se lançou. Apesar de também termos uma dívida de gratidão com Bauru, onde a banda foi lançada e com o interior do Paraná - o primeiro lugar fora de Goiás onde fizemos sucesso, não poderíamos escolher outro lugar que não fosse a capital goiana. Mas não deu. Qualquer amigo ou fã de Goiânia, sabe que foi ali que a banda se formou como ela é, mas que sempre lutamos muito pra conseguir tudo. As rádios da cidade são sempre as últimas a começar a tocar nossa música. Agradecemos o apoio em qualquer nível, mas sentimos uma boa dose de desprezo com nosso som e nossa vontade. Agora preciso contar tudo, não quero amargar a culpa.
Alguns fatos que muitos não sabem:
  
   - Fizemos nosso primeiro programa de rádio em Goiânia, numa noite de sexta feira. Não tínhamos nada gravado. Nenhuma gravação demo sequer. Foi ótimo o espaço e soubemos aproveitar. Tocamos ao vivo, na maioria covers, já que só tínhamos Como que ocê pôde e Eu não toco Raul como músicas autorais. Ao fim do programa o dono da rádio nos chamou pra conversar e pediu que gravássemos Eu não toco Raul que ele iria por na programação. Nessa mesma conversa ele disse que devíamos pensar num figurino engraçado, que ele queria produzir uns shows com a gente. Figurino engraçado foi uma das coisas que nunca adotamos, exatamente pra evitar a comparação com Mamonas. Fazer isso seria negar nossa autenticidade, originalidade. Mas em 4 dias produzimos, em estúdio, uma gravação da música com excelente qualidade sonora, bem mixada, bem tocada. Gravamos no estúdio Pandarus em Goiânia, dos nossos amigos Fernando e Juliana, que fizeram um preço camaradíssimo. Mas éramos três caras lisos, sem um tostão no bolso, tiramos essa grana da alma. Na semana seguinte eu, pessoalmente, levei o cd com a música lá. Essa música ficou um ano na gaveta da rádio. Não foi tocada sequer uma vez. Decepção total. Mas não desistimos. Compus caminhoneta zera e Como nossos pais e voltamos ao estúdio, novamente nos virando pra levantar essa grana. Gravamos então 4 músicas num cd que distribuíamos nos nossos shows no omelete. Levamos o cd com essas músicas na rádio e, mais uma vez, ele foi parar na gaveta. Paciência. Não se desiste assim. Depois de um ano, ouvi dizer que tocou Caminhoneta Zera na rádio e esqueci dois anos de exclusão pra comemorar com eles nossa "aparição". Tenho amigos nessa rádio e que sempre se mostraram fãs do nosso som. Isso ajudava muito. Fizemos mais algumas vezes alguns programas ao vivo. Começaram - atrasados em relação às rádios de outros estados e até uma rádio muito parceira de Anápolis, cidade vizinha a Goiânia - a tocar Teorema de Carlão. E bradaram aos ventos que eram a rádio que nos lançou. Nunca reclamamos disso. Até um dia em que quiseram nosso show pro aniversário da rádio e reclamaram , muito do nosso cachê. Se o show fosse em praça pública, sem cobrança de ingresso, faríamos de qualquer forma, mesmo sabendo que nosso custo pra tocar não é baixo, pois pagamos técnicos que dependem disso pra viver. Mas se tratava de uma festa grande, com cobrança normal de ingressos. Quando negamos que faríamos naqueles moldes, fomos detonados ao vivo. "Pedra Letícia está estrelando", "Pedra Letícia não reconhece e esqueceu a rádio e a terra que os lançou". Tudo isso falado ao vivo na rádio, mais de uma vez. Enfim, não temos apoio de rádio pra divulgar um show de gravação de DVD.

   - Fomos procurados pra alguns show em Goiânia. Todas as procuras, sem excessão, reclamavam de dinheiro. Porque acham que estando na nossa cidade eu deveria pagar menos ao técnico, deveria ganhar menos também? E olha que não havia sido cobrado o transporte, apesar de eu já estar morando em São Paulo. Eu sempre disse que toco por amor, amo a música e só quem já esteve do meu lado escutando Maria Bethânia sabe o que sinto quando ouço uma música. Mas eu vivo disso. Pago aluguel, prestação de carro, como, visto, tudo com essa grana. Todos sabem que não sou rico, e ninguém me dá o direito se eu quiser ser. Já toquei muito de graça, ainda toco, já carreguei muito instrumento, caixa de som, montei e desmontei com o Thiago, pra gente ganhar R$50 no fim da tarde. E esquecem que hoje não somos só mais eu e os meninos. Temos uma equipe. São 12 pessoas que vivem disso. Movimentamos um escritório, ou alguém aí realmente acha que a gente era melhor quando tocávamos no Omelete? Ou alguém acha que eu posso virar pro nosso roadie e dizer: Olha, hoje tem show, mas você não precisa ir que hoje não vai precisar de você. Só uma ressalva positiva: tocamos no flamboyant shopping esse ano e no fim do ano passado pra Primetek, uma empresa da cidade. Ambos foram extremamente corretos com produção, valores, e, principalmente, tratamento para conosco. O show do teatro foi feito pela secretaria de cultura e apesar de termos sido muito bem tratados, o Estado deu trabalho pra pagar. Enfim...

   - Por fim, se fôssemos nós mesmos organizar um show, precisaríamos de patrocínio. Não só pela estrutura, mas também pra haver a possibilidade de levar convidados, não só pra participar do DVD, como pra assistir, pessoas da mídia, contratantes. Levar pra Goiânia já não seria fácil pelo deslocamento, mas tudo se resolveria se tivéssemos banca. Patrocínio se mostrou imediatamente inviável, porque ouvimos sempre que seria melhor patrocinar um evento sertanejo com garantia de público, e que uma banda local não daria o retorno necessário ao investimento.

   Fico triste por um lado, mas muito feliz por outro. O show de Curitiba havia sido contratado como um show, sem gravação. Foi contratado por uma rádio popular, que toca sertanejo na maior parte da grade de programação, a 98FM. Foi dado todo o apoio e sentimos que poderia ser a oportunidade que precisávamos. O Contratante se apaixonou pelo projeto e entrou de cabeça. Empolgamos mesmo. Conseguimos rapidamente patrocínio, mídia. Nunca tocamos em Curitiba. É um desafio, mas é animador. O Estado do Paraná sempre nos recebeu de forma maravilhosa e é, sim, uma forma de retribuir podendo fazer na capital. Tudo há de ser perfeito. Estaremos nos próximos dias, internados em Caldas Novas pra ensaiar exaustivamente o repertório, que contará inclusive com músicas novas. Minha paixão pela minha cidade nunca se abalará, mas tenho o direito de ter outros amores. O Paraná é um deles e hei de ser reconhecer Curitiba como parte da minha vida também.
  Aos amigos e fãs de Goiânia devo dizer que espero que não mude nada entre nós. A culpa não é nossa!!!

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BRASIL, Centro-Oeste, GOIANIA, SETOR BUENO, Homem, de 26 a 35 anos

 
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