FOI, COM MEDO DE AVIÃO!!!

Eu assumo que sou medroso. Muito medroso mesmo! Precisa coragem pra assumir publicamente que é um medroso. Eu faria uma lista infinita de coisas que me causam medo, mas não adiantararia, porque todos os dias ela aumenta, eu agrego um novo pavor. No começo eu tinha medo de gente. Eu era tão tímido que se alguém me olhasse e tomasse aquele fôlego que precede uma palavra eu virava pro lado e saia correndo. Ainda criança ficava evidente minha desconfortável posição perante animais. Os cachorros grandes podem fazer isso a qualquer um, mas um filhotinho de poodle so assustava a mim mesmo. Todo mundo ficava: Fabiano, põe no colo, ele é mansinho. Eu já acho que se fosse mansinho vinha banguela igual a gente. Com menos de um mês essa merda já tem dente afiado. Insetos são um caso a parte. Todos os meus amiguinhos pegavam cigarras nas árvores e brincavam. Como assim? Acho um desperdício de brincadeira isso. Vamos jogar bola gente. Joaninhas são lindas? Onde? Aquilo é um mini-bezouro nojento com fantasia de carnaval. Até que conheci as borboletas. Oh, borboletas! São lindas, dóceis, símbolos de tanta coisa boa. Tenho paura. Tá aí um bicho que tenho muito medo até hoje. Vamos separar: mariposas e borboletas. Aquelas coisas enormes que aparecem no nosso quarto a noite são, com certeza, devoradoras de pessoas. Olha que nem to levando a sério a história do pozinho que ela solta e blá, blá, blá. Acho que aquilo tem mandíbula mesmo. Algumas são tão grandes que eu já ví escrito na asa de uma delas um prefixo PT-BOR. Aquilo deve ser tripulado, por joaninhas, claro. Pra vocês terem noção do meu pavor com mariposas, se entra uma no meu quarto eu cedo imediatamente o território. Se entrar no meu carro eu entrego os documentos e falo, VAI !! Ilustrando. Eu ía viajar com a namorada e ela passou na minha casa pra me buscar. Minha mala não estava pronta, porque no varal, junto com as roupas que eu queria levar, pousara um desses bichos horrendos. Ela foi lá e, incrivelmente calma, retirou a mariposa dali. Juro, ela teve coragem de pegar com a mão. Digamos que não foi uma cena muito máscula da minha parte trancado no meu quarto e gritando: Ela já foi embora??? De qualquer forma passei a viagem inteira sem pegar na mão da namorada né. Sei lá, vai que a história do pozinho também é verdade né?! E as borboletas amarelinhas, pequenas? Vocês devem estar se perguntando. Pois acho que são ainda piores. Porque elas me perseguem na rua. E acho que apesar de não terem força suficiente pra ganhar de mim numa eventual briga homem a homem, eu vejo uma característica terrível nelas. Sempre ma pareceram que são elas que me entregam pras grandes. Algo assim: Estou andando na rua e elas percebem que eu fico arredio na presença delas, daí na reunião borboletal das 18 horas elas cochicham pras maiores quem é o trouxa do dia. Não é a toa que, à noite, das 41 janelas do meu lado no prédio, as grandonas escolhem justo a do meu quarto pra entrar. É um complô. E bichos assim não podem ser confiáveis. Essa coisa voa, e por ter esse dom, ela passa a ter um tipo de ataque aéreo para o qual não estamos preparados. Se eu voasse seria mais fácil, mas eu nao consigo. Principalmente porque também tenho medo de avião. Aquilo pesa toneladas, ele não pode voar por tanto tempo, uma hora ele vai descer, de um jeito ou de outro. Também tenho medo de boi, vaca. Nunca fui de conviver com eles a não ser na churrascaria, aliás, onde me sinto bastante vingado. Já ouvi muita gente dizendo que tem nojo de barata. Eu tenho é medo mesmo. Um bicho que você corta a cabeça dele e ele vive uma semana? Enquanto a mulher é a criação mais bem acabada de Deus, a barata é a obra-prima do diabo. Convenhamos ele acertou a mão. Obviamente nos propósitos malignos da besta estava a intenção de criar um bicho que seria resistente até ao fim do mundo. A Terra some e as baratas ficam vagando pelo universo. Morro de medo de altura. O apartamento dos meus pais fica no oitavo andar. Quando nos mudamos pra lá eu tinha 11 anos de idade. Durante vários anos, eu mal cheguei perto da janela. Até descobrir a vizinha do lado. Quando meu sobrinho nasceu, meus pais resolveram colocar aquela redinha de proteção. Que delícia. Enfim, pude ganhar mais uns 40 metros de área transitável casa deles. MInha fobia é tão grande que eu transbordo. Tenho medo por terceiros. Não consigo olhar aqueles caras que pintam prédios numa cadeirinha de madeira. Se eu vejo, minhas pernas bambeiam, fico tonto e despenco, por ele. Se me colocam numa cadeirinha daquelas pra pintar o décimo andar, eu corto logo a corda que é pra acabar com isso rápido. Outro dia passou na televisão uma reportagem sobre aquele homem aranha de verdade. Um francês exibido e sem juízo que escala prédios ao redor do mundo sem usar nenhum tipo de proteção e invariavelmente é preso após - o que ele chama - a façanha. Se eu fosse a polícia prendia num bunker anti bomba atômica. Obviamente esse cara deve ter claustrofobia. É a lei da compensação. Ah, sim, também sou claustrofóbico. Na última vez que vi uma matéria com esse sujeito no Fantástico percebi, que ao final eu estava deitado no chão, em posição fetal. Me dá cafubira!
Agora mesmo, no rádio, eu escuto que "borboletas vão e voltam". Ô bicho insistente! Essa música me persegue, faz parte do complô. Se o rádio está ligado e eu estou distraído, me vejo ouvindo essa dupla e olhando pro alto e pros lados: ONDE?? ONDE??

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BRASIL, Centro-Oeste, GOIANIA, SETOR BUENO, Homem, de 26 a 35 anos

 
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