MARINGÁ 2. A REVANCHE!!!
EU JÁ SABIA!! Demorei pra falar sobre o segundo show que fizemos em Maringá. Pra entender o que vou dizer, leia o post que escrevi lá embaixo.
Dessa vez tocamos numa balada. Aquáticu's. Que massa!! Só queria mesmo agradecer a toda a galera que foi lá, cantou todas as músicas, arrancando algumas, inclusive, que já haviam saído do nosso repertório. Eu sempre achei que a cidade era do cacildis, mas tinha ficado aquele gosto de estranheza ne. Confesso que fiz o show com uma gana a mais.
Obrigado a todos da organização, dos pedágios, da casa, enfim, valeu por mil shows
SIM, EU TOCO RAUL!!

Parece que vou voltar ao mesmo assunto, mas não é. Vou só contar mais uma das incríveis estórias que nos aconteceram nos Rio.
Alguém aí conhece o Rick Ferreira? Me desculpe se alguém respondeu afirmativamente, mas eu não conhecia. Pecado meu. O cara é um mega guitarrista, arranjador, violonista, mas sua especialidade é o banjo. O banjo, aquele instrumento típico do country americano. Iorileiiiii !!! Fora tudo isso trata-se do braço direito de Raul Seixas. Gravou trocentos discos com Raulzito, foi um dos músicos fixos do projeto Baú do Raul, no qual, inclusive, canta uma música sozinho. Organiza os shows e roda o Brasil com o espetáculo Toca Raul. E é gente fina. Muito.
Estávamos gravando o cd e na faixa Eu tô na seca (mais uma "poesia" desse que vos escreve) o Marcelo Sussekind achou que caberia um banjo. Boa idéia, mas quem toca isso? Opa, chama o Rick! Quem? O Rick! Trata-se da única participação de instrumentista no disco, fora o pessoal que já trabalha nos arranjos. O cara chegou, ouviu a música, curtiu, tirou de ouvido e fez uma melodia no banjo que me deu vontade de tirar a letra e deixar só o instrumental. Ficou massa e espero que ouçam. Não demorou nada pra gravar frases melódicas que eu nem imaginava que existiam. Fim da gravação, sentou-se com a gente e conversamos sobre marcas de violão, guitarra, sobre takamine e soltou o que não sabíamos: de toda a sua obra com o Raul. Obviamente ele não nos conhecia e não sabe da nossa música. Falou do Raul, de como ele era, de quando faziam shows, do fim da vida dele e da obra que ele ajuda a manter viva. Silêncio no estúdio. Muito medo de ele pedir pra ouvir o resto do cd. Mais um sinal? uma coincidência? outra cagada mesmo??? Só sei que temos mais um pouco de Raul no nosso cd. Fãs do Raul, morram de inveja! Rick Ferreira gravou com a gente! Só espero que ele entenda a brincadeira e não queira quebrar o banjo na minha cabeça. Se não entender vai ficar uma situação chata, mas se entender pode até se tornar um fã nosso, como nos tornamos dele. 

O MAIOR GALÃ DO BRASIL

Moçada, vou contar pra vocês sobre o nosso encontro com Reginaldo Rossi.

O cara é uma figuraça. Vamos do começo. Comecei a tocar violão já adulto. Quando era adolescente eu freqüentava uma roda de violão em Goiânia com amigos e conhecidos. Chamávamos esses encontros de CERVOLÃO. Biel, Rodrigo Bazuquinha e outros eram os organizadores. Eu só ia porque era amigo deles. Eu não sabia tocar nada, mas adorava a bagunça, e as músicas. Foi lá que eu ouvi pela primeira vez Em Plena Lua de Mel e também uma versão do refrão em espanhol. Adorávamos aquilo que o Thiago Bastos trouxe do nordeste. Quando me mudei de Goiânia e comecei a tocar violão, carreguei essa música pro repertório nos churrascos. Foi quando eu também compus Como que ocÊ pôde. Daí vem o Falange (bar do qual o Thiago percussionista do Pedra Leticia, era dono), o começo real da banda, o Omelete, e essa música nos acompanhou. Quando "Como que ocÊ pôde" começou a fazer sucesso no You Tube a nossa segunda música foi, automaticamente, Em Plena Lua de Mel. Todo mundo canta o refrão nos nossos shows. Ano passado, recebemos convites de três gravadoras para gravar um cd. A EMI foi uma escolha pensada, pela total liberdade que nos daria, e deu. Ao definirmos o repertório do cd, faltava resolver a questão: "Iremos gravar um cover?" A primeira idéia era um cd só de composições próprias. Fomos ao Rio pela primeira vez em dezembro, gravar três músicas. Total apreensão por chegar ao centro cultural do Brasil. Descemos no aeroporto completamente vidrados com aquilo tudo. Mas estávamos meio perdidos também. Pegamos as bagagens, nos perdemos, achamos a saída pros táxis, e, antes de chegarmos ao carro, encontramos o primeiro famoso. Lá no Rio todo mundo age naturalmente ao cruzar com um famoso. Chega a ser ridícula a tentativa de encarar com normalidade a facilidade com que se vê artistas globais, músicos e personalidades em geral. Pra você ter uma idéia, no nosso primeiro jantar numa pizzaria, sentamos ao lado de Luana Piovani. O Thiago estava com as costas da cadeira grudada nas costas da cadeira dela. Entenderam a cena? Aja naturalmente Thiago! Difícil. Ele suava, tremia, falava alto. Mas não pode dar na cara. E realmente parece que temos escrito nas nossas testas: GOIANO. Só que a Luana nã foi a primeira. Sabe quem era o cara do aeroporto? Reginaldo Rossi. Fazia uma conexão pra Angola e estava do lado de fora do aeroporto fumando um cigarro. Camisa aberta, por fora da calça social nada chique. Completamente povão (uso aqui uma expressão típica dele mesmo). Não resistimos e o abordamos. "Rossi, somos uma banda de Goiania que canta em plena lua de mel somos muito fãs do senhor de você sei lá, tira uma foto, toma uma camiseta da nossa banda com a sua foto, nem to acreditando, dê cá um abraço, pra onde vai de onde vem, o senhor você sei lá tá fazendo show aqui no Rio??" Que loucura. O primeiro cara que topamos no Rio foi o próprio Rossi. Que mora em Recife. Alguns chamariam isso de um sinal, eu chamo de cagada mesmo!
Voltamos em maio pro Rio pra gravar as outras músicas. O Vítor, que é o gerente artístico da EMI nos diz que acha imprescindível gravar essa música. Dizemos a ele, como quem não quer nada, se haveria a possibilidade da participação do Rossi. Opa! Cinco minutos e duas ligações depois, ele confirma que o Rossi vai ao Rio pra gravar com a gente. Como assim?! O Rossi mesmo? O Reginaldo? Só acredito vendo. E depois de duas semanas eu vi. Estávamos ansiosos no estúdio. Toca a campainha e ouvimos aquela voz tão característica, tão original. Entra um dos caras mais engraçados e gente fina que já conheci na vida. Contou histórias, revelou segredos, fez todo mundo rir. Ouviu nossa versão e nos disse que havia lembrado do dia do aeroporto. Se emocionou, de verdade, com nossa homenagem. Contou piadas e casos seus. Falou sobre o povo e sobre o que o povo gosta. Ele saca muito disso. Contou que numa das infinitas viagens ao interior do nordeste, estava saindo do show na van, com centenas de pessoas cercando o automóvel. Pediu ao motorista pra não andar depressa, pra ter cuidado com o povo. A velocidade desenvolvia devagar. Quando já alcançava os 40Km/h viu que um cara corria desesperadamente atrás da van. Sentiu que era um fã especial, devido a todo aquele esforço. Pediu ao motorista que parasse, que queria ouvir o que um fã tão ardoroso tinha pra dizer. O chofer freiou, abriram a porta da van, e o fã esbafurido, exausto, solta: "Rossi, eu também sou viado!" auhhauuha. Inacreditável isso. Rossi contava às gargalhadas. O filho dele estava presente a gravação e confesso, nunca imaginaria se tratar do filho do Rossi. O cara é fino, ator, ultra cool. Rossi é do povo, e ressalta isso a todo momento. Entrou pro estúdio com profissionalismo e bom-humor. Além de cantar uma parte, soltou frases incríveis. Eu, do lado de cá do vidro, não acreditava. Olhava pros meninos da banda e não sabíamos o que nos dizer. Lembrei-me dos meus amigos de cervolão. Da fita cassete que haviam trazido do nordeste. Lembrei-me de todas as vezes em que cantei isso num churrasco, escutando gargalhadas a cada versão internacional da música. Ele disse, durante a música, que se tratava do Rei, do garanhão de Pernambuco, do maior galã do Brasil. E ele é. Ele falou brincando, mas ninguém sabe, como ele, fazer o povão entender a música e a elite entender o povão.
Saiu de dentro da cabine do estúdio com o humor intocável. Ainda rimos mais algumas horas. Sei que ainda vamos nos encontrar pra tocar essa música algumas vezes e vou sempre admirá-lo. E ele estará sempre gravado - literalmente - na nossa obra. 
Nos despedimos, ele deu um abraço forte. Educado saiu, e meu coração voou mais que avião. Quando o perdi de vista, se encaminhando pro portão do estúdio, eu e os meninos nos abraçamos. Que sonho! Olhamo-nos incrédulos. Foi quando ouvi a voz inconfundível vinda lá do portão de saída. Fabiaaaaaanoooooo!!!! Fabiaaaaanoooooo!!! fui correndo ver o que era e ouvi a voz autêntica me dizer, entre gargalhadas: "Eu também sou viado!!"

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BRASIL, Centro-Oeste, GOIANIA, SETOR BUENO, Homem, de 26 a 35 anos

 
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