SÉRIE: NÃO MORRA ANTES DE ESCUTAR...

Eu andei sumido porque tava viajando. Mas prometo tentar manter uma certa disciplina pra escrever aqui.
e aproveitando, vou inaugurar a sessão "Não morra antes de escutar..." vou só falar de músicas que escuto, adoro, e tento convencer o mundo inteiro de que são as melhores. lá vai.

música:  REMEDY
intérprete: THE BLACK CROWES
trata-se de um raro rock que ja nasce clássico. Puro Rock n Roll. Led Zeppelin na veia. Nenhum instrumento parece sobrar. E ainda tem um piano com balanço ao fundo. A voz é monumental. O cara é feio. Ainda bem que sabe cantar. E como sabe. Lhe rende namoradas lindas no currículo (kate Hudson já foi casada com o tal). Essa talvez seja a única banda que ainda é bem fiel ao estilo Page-Plant. O cara ainda usa vocais negras que lembram um SOUL. Não ouça sentado. Só se estiver dirigindo, mas cuidado com o acelerador.

música: QUI NEM JILÓ
interprete: LUIZ GONZAGA
achei bacana falar dessa música pra demonstrar que trata-se de uma série eclética ("o que tem a ver a religião com isso??" piada extraída de um episódio do Chaves). Eu amo músicas simples, letras e melodias ao alcance de todos. Luiz Gonzaga sintetiza o que se é capaz de produzir mesmo não tendo estudado música. A letra é linda. Vou tatuar parte dela no meu braço ainda esse ano (criptografada, lógico). A melodia é perfeita. E o balanço da sanfona e do zabumba são MASSA! Se você gostar dessa música escute também Juazeiro. Se não gostar é porque não tem coração, ou nunca sentiu saudade de alguém. Sim, essa é daquelas músicas simples  que entram nos ouvidos e ressoam por dentro até seu corpo mastigar tudo e cuspir uma lágrima. Versão do Lenine é muito boa também. Até eu gravei essa música. Mas nao mostro. Não mesmo , rs!!! Ganhei um acordeon e essa será a primeira música que quero aprender. SAUDADE O MEU REMÉDIO É CANTAR!!!

 

SHOWS DA SEMANA PASSADA e minhas lágrimas em Maringá.

Na última semana fizemos 3 shows: Pres. Prudente, Marília e Maringá. De quinta a sábado. Correria.
por ordem:
Pres. Prudente, cidade que lembra muito Bauru (onde morei). Muitos estudantes, cidade típica da região oeste de SP. Eu adoro o calor, aquele clima de universidade, república, todo mundo morando perto. O show foi ótimo. Alguns probleminhas com o som, mas nada que estragasse o clima. A casa era linda. Não tava lotada, mas também não tava vazia e a animação da galera compensou os que não foram. Agradecimentos especiais ao meu brother Fabio (Wallace) que eu não via há alguns anos.

Marília: Nossa segunda vez na cidade. Na primeira vez, tocamos num pub e não foi muita gente. Dessa vez tava lotaaaado. Cachaçaria água benta. Mesmo em reforma, a casa é um exemplo raro de beleza e organização. O show foi muito bom. Me diverti no palco. Povo bonito demais, animado e só tenho a agradecer. Agradecimentos especiais ao Edinaldo pelos dois shows e ao André, pela organização e pelo acordeon.

Maringá: Show sui generis. Não sei dizer se gostei ou não. Vou explicar com calma. Eu estava muito ansioso pra tocar em Maringá. Tocamos antes na região e sei que muita gente de Maringá nos conhece e curte nossas músicas. Evento grande, pra 10.000 pessoas. Durante o dia o Lucas (amigo de Cianorte) fez um churrasco, conhecemos também os estúdios da Maringá FM, que fazem inveja nas mariores rádios do país. Eu nunca tinha visto um estúdio tão grande, tão bonito. Show acústico na rádio. Fomos passar o som no local da festa. O lugar era impecável. Dois palcos enormes. O som estava perfeito. Num palco Pedra Leticia. No outro Fernando & Sorocaba. Mais 3 duplas, djs e a banda D3. Que festa!
Vocês estão percebendo que estava tudo muito "perfeito demais"??? Sempre dá pra desconfiar dessas coisas né!
Se você ainda não conhece Fernando & Sorocaba é porque não mora no Paraná. Os caras comandam lá. Muito sucesso mesmo. Aqui em Goiânia poucos conhecem, mas em Maringá eles são capazes de colocar 10.000 pessoas num evento. E colocaram. Pra ser mais otimista vamos dividir o público:
1.000 pessoas pra ouvir qualquer coisa
500 pessoas pra ouvir Pedra Leticia
8.500 pessoas pra ouvir Fernando & Sorocaba.
Repito,to sendo Otimista. Mérito dos caras. Assisti a um pedaço do show. Eles são bons. Mesmo que você não goste de sertanejo, saiba que eles fazem muito bem aquilo a que se propõem. Só que o bacana aqui, um dia, à tarde, cansado de escutar só sertanejo nas rádios, nas baladas, resolveu escrever CAMIONETA ZERA. Se você não conhece a música, escute: myspace.com/pedraleticia
Diferentemente da música do Raul, nessa aqui há sim uma crítica à música sertaneja. Mas obviamente é uma brincadeira. Sempre critico o estereótipo. O exagerado. A caricatura.
Acredito que essa música tenha sido a causadora de um certo furor nos sertanejos que assistiam ao show. Na frente do palco havia 25 metros de camarote. Mais dois metros da divisória, até chegar à galera da pista. No camarote só havia cowboys (adoro esse termo, ele resume a breguice da pessoa). Nosso público estava na pista, longe de nós. Fiz o show pra galera da pista, que vi pular várias vezes. Pro camarote, me restaram meia dúzia de meninas que ficaram na frente do palco, a quem eu recorria pra amenizar minha aflição. Fui xingado, vaiado, mas segurei as pontas. Minha galera tava ali também e tenho muito respeito por ela. Só que os aplausos e o canto que eu tentava escutar estavam longes. Eu não conseguia me concentrar em fazer o que devia e meus olhos esbarravam sempre nos dedos médios e palmas de mão acenando pra que saíssemos do palco. 
O show acabou. Tocamos todas as músicas programadas. Desço do palco, vou pro camarim. Os meninos me seguem vestindo a mesma cara de espanto. Me viro pro nosso produtor, o Junin, e digo: - Que dó! Nossa galera tava aí, e não conheceu o Pedra Leticia.
Ainda estou com esse sentimento entalado aqui. Eu queria tanto tocar lá. É uma questão que pode ser discutida em outro tópico do blog, mas vamos la: eu não me tornei músico pra ganhar grana, ou ficar famoso, ou fazer média com alguém. EU sou um nerd, que desde criança se tranca no quarto, com um cabo de vassoura emulando pedestal de microfone, e faz shows. De dentro do meu quarto ja fiz shows pra 10.000, 100.000, um milhão de pessoas. Já fui o Lulu Santos, já fui o Axl Rose, já fui o Ney Matogrosso, o Bono Vox, o Caetano. Eu já dei entrevistas pro Jô, pra Marília Gabriela, Pra Oprah. Já namorei a Alinne Moraes, a Anne Hathaway. Eu ja fui amado, admirado.
Em Maringá eu não fui ninguém. Nem eu mesmo. Nosso maior público até hoje, não era nosso. E quem foi nos ver naquele dia, nos viu de muito longe. Eram 30 metros que me desesperavam. Era eu que queria estar perto daquelas pessoas. Olhar pra galera que foi lá nos ver. E enxergar as bocas cantando nossas bobagens. Rindo, se divertindo.
Chorei. Chorei muito. Porque eu sou bobo. Porque me importo com as pessoas erradas. Porque não se pode abraçar o mundo. Eu não queria 10.000 pessoas me olhando. Prefiro 200 me aplaudindo.
Sinceras desculpas à galera que foi nos assistir. Não acho que a gente demore a voltar pra Maringá. Eu, pelo menos, vou fazer muita força pra que isso se repita muito brevemente. Num lugar menor. de perto. Cada um que pagou o ingresso e não nos viu, pode esperar. Nós e as nossas 500 pessoas (continuo otimista), rindo, se divertindo, pondo dedo e dando tchau pro mundo. Eu vou sair do palco e rir no camarim. Vou me trancar no meu quarto e imaginar que eu era o Fabiano Cambota em Maringá. Foi no meu quarto que eu e Caetano cantamos : RESPEITO MUITO MINHAS LÁGRIMAS, MAS AINDA MAIS MINHA RISADA.

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BRASIL, Centro-Oeste, GOIANIA, SETOR BUENO, Homem, de 26 a 35 anos

 
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